segunda-feira, 16 de novembro de 2009

##Conclusão ##

Conclusão
Devido às numerosas eventualidades causadas pelas diferentes combinações genéticas, mutações e pelos fenómenos de dominância, é essencial a humildade e uma extrema prudência por parte dos criadores caninos e dos responsáveis pelos clubes da raça no domínio do melhoramento genético.
Todavia, é possível reter os grandes princípios da selecção que foram confirmados pela experiência e pelos estudos estatísticos.
-Antes de seleccionar, é necessário estabelecer prioridades, reservando um pequeno número de caracteres sobre os quais serão constantemente concentrados esforços. Portanto, não deverá "matar vários coelhos de uma cajadada só"…-Uma vez definidos os critérios de selecção, é de relembrar que os caracteres qualitativos (tipo de pigmento, textura da pelagem…) são mais rápidos e fáceis de fixar do que os caracteres quantitativos (morfologia, desempenho…), pois têm origem num número restrito de genes.
-Quando a correlação entre fenótipo e genótipo é boa, pode-se esperar um progresso rápido. -O acasalamento entre dois sujeitos geneticamente afastados pode, por mero acaso, resultar em descendentes de elevado nível que serão assim bons competidores, mas geralmente fracos progenitores (forte taxa de heterozigotia). -Por outro lado, a consanguinidade não permite a expectativa de nascimentos de sujeitos excepcionais, mas favorece a fixação de caracteres ao aumentar a homozigotia. -Será interessante, quando se pretender introduzir uma nova corrente de sangue numa linhagem, utilizar um macho reprodutor "com raça", ou, se este estiver indisponível, um dos seus irmãos mesmo que se exteriorizem alguns defeitos mínimos ou se tiver uma carreira mais modesta.
-A melhor prática de canicultura consiste em estabelecer paralelamente várias linhagens consanguíneas satisfatórias, recorrendo por vezes a cruzamentos entre linhagens ("line-breeding") imediatamente seguidas de consanguinidade, se os resultados merecerem a fixação. -Determinados criadores, esperando obter a longo termo animais com todas as qualidades, seleccionam prioritariamente critérios inversamente proporcionais à sua hereditariedade, ou seja, primeiro, critérios de prolificidade, depois, critérios de robustez e, finalmente, critérios morfológicos. Na verdade, se as qualidades de reprodução (excepto a capacidade de amamentação) ainda se afiguram menos hereditárias do que as qualidades de trabalho (determinismo bastante poligénico), alguns caracteres, como os defeitos de aprumo congénitos, parecem ser bastante hereditários.

##Doenças causadas por um gene recessivo (as mais frequentes)###

Prevenção e erradicação de taras de origem genética
Até ao momento, conhecem-se 150 doenças que afectam a espécie canina com um determinismo genético e que surgem por mutação de um ou vários genes (ver lista). No seu conjunto, cerca de 90 são devidas a um gene recessivo, 15 a um gene dominante e 45 a vários genes com acção conjunta.



Doenças causadas por um gene recessivo (as mais frequentes)
Estando relacionadas com um gene recessivo, estas doenças só se manifestam se o gene estiver presente nos dois exemplares. Os indivíduos heterozigóticos não exprimem, portanto, a doença, mas podem transmiti-la. Denominam-se "portadores saudáveis".
A título de exemplo, analisemos a transmissão da anomalia ocular da raça Collie. Denominemos "m" o alelo recessivo responsável pela doença e "S", o alelo dominante no indivíduo saudável.
Um cão m/m é, desta forma, doente, m/S portador saudável e S/S fenotípica e geneticamente saudável.
Os resultados previsíveis dos acasalamentos resumem-se no quadro seguinte:
Seguindo a frequência de aparecimento da doença na população, é fácil suspeitar de uma participação de um gene recessivo. O risco de escolher um portador saudável durante a escolha de um reprodutor depende, naturalmente, da frequência da doença como demonstra o quadro seguinte:
Assim sendo, quando se descobre 1% de doentes numa população, haverá um indivíduo, no conjunto de 5, portador da tara. Quando houver 10% de doentes, cerca de um indivíduo saudável em dois é portador!
As medidas de prevenção passam pelo conhecimento aprofundado da genealogia do candidato para a reprodução. O ideal seria, obviamente, não obter nenhum descendente com tara após acasalamento com um reprodutor doente (m/m), o que limitaria os riscos de "poluição" genética de uma criação a uma eventual mutaçãoAs medidas de eliminação seriam fastidiosas e bastante lentas. Na verdade, em caso de tara recessiva, a população do canil seria repartida como se segue (com p + q = 1): p2 (com taras) + 2 pq (portadores) + q2 (saudáveis).
Se apenas se observar 1% dos sujeitos com taras, p = 0,1 portanto q = 0,9 e 2 pq = 0,18 = 18% de taras potenciais. Através da consanguinidade, pode-se esperar eliminar apenas 1% dos portadores por geração! Para eliminar uma doença genética recessiva, convém abandonar a prática da consanguinidade. Mesmo se esta permitir o seu rastreio, não se pode ser incendiário e bombeiro ao mesmo tempo! Doenças causadas por um gene dominante
Um gene dominante exprime-se independentemente do alelo expresso pelo lócus homólogo. Desta forma, não é possível a existência de portadores saudáveis e torna-se fácil lutar contra a dispersão da doença através de uma simples exclusão dos doentes. Contudo, determinadas doenças como a atrofia progressiva da retina podem revelar-se tardiamente e, por vezes, após a reprodução, facto que explica a persistência da doença. Outras, como as anomalias relacionadas com o gene que causa, entre outras, a surdez, podem não se exprimir em indivíduos resistentes que transmitem a afecção como gene recessivo.
Concluindo, a maioria das doenças não se exprime quando a presença do alelo dominante for letal, provocando, assim, a morte do cachorro atingido. Doenças causadas por vários genes
Cada gene tem um efeito demasiado fraco para desencadear sozinho uma doença. O conjunto dos genes desfavoráveis em combinação com a acção do ambiente (alimentação, exercício, etc.) contribuem, pelas suas acções sinergéticas e cumulativas, para o aparecimento da tara ou defeito genético. A displasia da anca, o criptorquidismo ou as anomalias dentárias ilustram esta causalidade.
Neste tipo de afecções, torna-se quase impossível eliminar completamente a doença. As únicas regras estabelecidas são as seguintes:
- quanto mais atingidos forem os pais, maiores são os riscos de aparecimento de doenças na ninhada. A lógica consiste em favorecer a reprodução de indivíduos saudáveis ou os menos atingidos. Nesta situação, como na selecção de caracteres quantitativos, a paciência é essencial Doenças causadas por vários genes.- cada indivíduo transmite em média metade dos seus genes a cada descendente. Mas o rigor a este nível é subjectivo, devido ao acaso, o que explica, por exemplo, que determinados cachorros possam ser mais displásicos ou menos displásicos do que os pais. Mesmo se algumas raças pareçam geneticamente poupadas (Greyhounds, por exemplo), não se pode concluir que esta doença esteja apenas ligada à hereditariedade.

##Out-crossing ##

Out-crossing
Através desta técnica, o criador recorre a outra linhagem, se possível fortemente homozigótica para as qualidades que pretende introduzir na reprodução.
O criador espera com este "cruzamento", por um lado, combinar as qualidades dos dois grupos e, por outro, acrescentar mais uma qualidade que se denomina vigor híbrido ou "heterose".
A análise do pedigree do candidato permite esclarecer o criador em relação à sua taxa de consanguinidade e, portanto, de homozigotia. É importante estabelecer um diálogo com o proprietário do candidato para se informar sobre os desempenhos e as qualidades desse macho reprodutor e da sua descendência. Por vezes, será útil estender o estudo até aos proprietários da sua descendência ou das fêmeas que cobriu.
A primeira geração assim obtida (F1) apresentará provavelmente uma qualidade tão homogénea quanto a taxa de homozigotia o permite prever.
Portanto, os cães provenientes deste acasalamento serão heterozigóticos e, consequentemente, não poderão transmitir o conjunto das suas qualidades aos seus descendentes se forem acasalados entre irmãos e irmãs. Por outro lado, serão excelentes para venda. Os melhores permanecerão no canil para acasalarem com os cães da linhagem anterior ou vendidos como machos reprodutores ao criador da outra linhagem de forma a trocar as qualidades entre as duas criações.
Cada criador pode idealmente manter em consanguinidade várias linhagens paralelas ("line-breeding") as quais enriquecerá periodicamente através de uma troca de correntes de sangue

##Consanguinidade (ou endogamia) ##

Consanguinidade (ou endogamia)
Definição
O princípio da consanguinidade é simples: consiste no acasalamento de indivíduos aparentados com o objectivo de fixar as suas qualidades no estado homozigótico. O grau de consanguinidade de um indivíduo é directamente visível em 3 gerações através da leitura do seu pedigree.
Portanto, a consanguinidade caracteriza-se por: - um coeficiente de parentesco (100% entre irmãos e irmãs, 50% por acasalamento pai-filha ou mãe-filho, 25% entre avós e netos, etc). - um grau de parentesco que representa o número de gerações que separa o indivíduo do seu familiar. Como exemplo, uma consanguinidade 2-3 indica que o antepassado comum é o avô do lado paterno e a bisavó do lado materno.


Formas de utilização da consanguinidade
A consanguinidade permite fixar os caracteres e, assim, criar uma linha estável a partir de dois indivíduos aparentados ("in-breeding"). Contudo, esta técnica tanto fixa qualidades como defeitos e, como tal, é importante começar o processo a partir de antepassados perfeitos.
Esta técnica pode assim revelar a existência de taras recessivas através do aparecimento de cachorros homozigóticos com taras que convirá excluir da reprodução para controlar a criação.
Contudo, é de referir que este método apenas revela as taras genéticas pré-existentes em estado latente no genoma dos reprodutores e que a sua exteriorização permite detectar retrospectivamente os portadores heterozigóticos. Desta forma, mesmo se a selecção pareça impiedosa, a dupla exclusão dos portadores de taras e dos seus progenitores permite ao criador concentrar a sua produção com base em indivíduos geneticamente sãos. Os excluídos da reprodução podem perfeitamente servir para proprietários que não desejam confirmar ou reproduzir o cão.
Retomemos o exemplo de um criador que deseje eliminar a cor "castanha". Se acasalar dois reprodutores de pelagem preta de genótipo B/b, obterá estatisticamente 3/4 de cachorros pretos e 1/4 de cachorros castanhos na geração F1. Se excluir da reprodução os cachorros castanhos (b/b) e se acasalar os cachorros pretos F1 (1/4 B/B e 1/2 B/b) com os seus progenitores (B/b), obterá normalmente na geração F2 uma ninhada 100% preta, e as outras com alguns cachorros castanhos. Este método permite, portanto, distinguir os indivíduos puro-sangue B/B obtidos em F1 que apenas darão origem a cachorros pretos. É o princípio da experimentação. Vantagens e desvantagens da consanguinidade
Em resumo, a consanguinidade permite:
-revelar e eliminar os defeitos genéticos, -fixar uma série de qualidades pretendidas pelo criador.
No entanto, não permite criar novas qualidades genéticas e é difícil recuar se introduzir inadvertidamente uma forte taxa de caracteres homozigóticos desfavoráveis…
A consanguinidade conduz a um empobrecimento genético, a um aumento transitório de exemplares mais fracos vendidos a baixo preço e, frequentemente, a uma diminuição da prolificidade relacionada com a reabsorção de determinados embriões geneticamente não viáveis (genes ditos "letais" no estado homozigótico devido à incompatibilidade com a vida).
Mesmo se a consanguinidade for bastante ressentida pela população neófita que a poderá comparar à pureza étnica, a reputação de um canil estará paradoxalmente ligada à estabilidade das qualidades obtidas por este método (reprodutores "recomendados" pela SCC).
Mas, a determinado momento, o abuso da consanguinidade arrisca-se a atingir um impasse evolutivo. Os testemunhos de alerta, como a diminuição de prolificidade ou o aparecimento de outras taras em quantidade superior a 10%, surgem geralmente na 5» geração consanguínea e indicam ao criador que é o momento de "fortalecer" a sua linhagem com uma nova "corrente de sangue" ("out-crossing").

##Os diferentes modos de selecção genética ##

Os diferentes modos de selecção genética
A selecção consiste na escolha de reprodutores para obter, a médio e longo prazo, cachorros conforme os objectivos pretendidos. Existem vários métodos que permitem ao criador atingir a sua finalidade.
Selecção fenotípica
Este método, que ignora voluntariamente qualquer pesquisa genealógica, consiste no acasalamento de dois reprodutores de qualidade tendo em vista a obtenção de descendentes seus semelhantes. Mas, como referido, o fenótipo nem sempre reflecte o genótipo. Assim, esta técnica de selecção pode conduzir a resultados não pretendidos.
Na verdade, se um proprietário acasalasse dois cães de pelagem preta e curta, seria de esperar que os cachorros fossem iguais aos progenitores. Contudo, se os dois cães forem do genótipo Bl/bL, bastará verificar o quadro anterior para prever que mais de 40% dos cachorros não terão o aspecto previsto!
É possível aplicar este processo denominado "selecção em massa" (ou individual) se o criador procurar um caracter novo e excepcional que seria fruto do acaso. Para limitar o aspecto aleatório deste método, poderá inspirar-se de forma útil em resultados experimentais que tenham analisado estatisticamente a hereditabilidade de determinados caracteres.
Para este propósito é aconselhado, se tiver acesso às estatísticas do clube da raça, traçar um gráfico representando o número de cães possuidores de um caracter quantitativo definido. Por exemplo, se listarmos os cães machos dessa raça em função da actividade em decurso e se obtivermos 2 picos bem distintos, poder-se-á recorrer a duas linhagens distintas, ou seja, a um suporte genético de qualidade considerável. Se obtivermos uma curva com apenas um pico do tipo curva de Gauss, é preferível não tentar seleccionar com base neste caracter.
A título de exemplo, se o criador pretender obter cães de caça excepcionais, poderá escolher os candidatos para reprodução baseando-se numa média de caracteres que pretenderá manter em função da hereditabilidade (e, eventualmente, em função da importância atribuída).
Exemplo de trajecto típico de Gauss (centrado na média num canil de 96 cães adultos).
Segundo J.-F. Correau
De modo a realizar uma selecção em massa, o criador avalia o candidato, atribuindo-lhe uma pontuação média. No exemplo anterior, o candidato teria obtido a pontuação média de (0,07.8 + 0,11.3 + 0,04.2 + 0,02.10 + 0,18.6 + 0,10.7 + 0,09.8)/(0,07 + 0,11 + 0,04 + 0,02 + 0,18 + 0,10 + 0,09) = 602 que tem em conta o conjunto de caracteres seleccionados e as "hipóteses de transmissão".Segundo a lógica, ao acasalar os candidatos avaliados com as melhores pontuações, o criador deveria obter indivíduos fisicamente aptos. No entanto, terá que ter em consideração que os caracteres quantitativos (como o peso ou o tamanho que são mensuráveis) são geralmente menos hereditários do que os caracteres qualitativos (como a cor da pelagem que é observável) e que as suas avaliações nunca serão totalmente correctas, devido à sua subjectividade. Os criadores têm a noção que é mais fácil e rápido produzir um campeão de beleza do que um campeão de trabalho. A altura do garrote representa igualmente um caracter quantificável. É um facto que se, entre a população canina, o criador acasalar os maiores indivíduos, obterá, após várias gerações, cães de maior tamanho. Pelo contrário, se afastar da reprodução os cães "hipertipos" (tanto os grandes como os pequenos), obterá um tamanho médio.
Para terminar, convém reter que este método se aplica a uma reprodução que procura a sua especificidade (como o artista pouco experiente que procura o seu estilo), que se refere essencialmente a uma selecção de caracteres quantitativos, e que os resultados são aleatórios, progressivos e demorados a obter. Este modo de selecção é bastante utilizado em cães de trenó, por exemplo, cujos desempenhos se baseiam na pureza da raça. Todavia, este método tem como vantagem um enriquecimento genético, através da utilização de genes de origens muito diferentes, e também permite recuar em caso de falhas.Selecção genealógica
Partindo do princípio que "o hábito não faz o monge", este modo de selecção tenta predizer o valor genético de um reprodutor pela apreciação dos seus antepassados, descendentes e aparentados.
Na verdade, em vários casos, os estudos genealógicos permitem compreender o motivo pelo qual alguns indivíduos excepcionais dão origem a indivíduos menos interessantes e alguns menos interessantes dão origem a indivíduos excepcionais. No primeiro caso, é provável que um campeão proveniente de uma selecção em massa ou de um acasalamento aleatório seja fortemente heterozigótico para as características que o tornam excepcional. Se, para além disso, as suas qualidades forem recessivas, dificilmente as transmitirá à sua descendência.
A sua reputação e carreira ficarão rapidamente em perigo apesar dos seus desempenhos. Pelo contrário, se um reprodutor apresentar qualidades raras num estado homozigótico, poderá marcar fortemente a sua descendência com as suas qualidades mesmo que apresente alguns defeitos recessivos ou não hereditários. Retomemos o simples exemplo anterior: se considerarmos a pelagem preta como uma qualidade primordial, é evidente que a melhor decisão será escolher reprodutores homozigóticos B/B em vez dos heterozigóticos B/b. Neste caso, é fácil determinar um macho reprodutor homozigótico B/B através da avaliação da sua ascendência (ausência de pelagem castanha no pedigree) ou descendência com uma fêmea b/b ou B/b. O aparecimento de uma única pelagem castanha na descendência assinala, na verdade, a "impureza" do genótipo do macho relativamente ao alelo B.Compreende-se assim a noção de "puro sangue", aplicável tanto na espécie canina como nos cavalos reprodutores fortemente homozigóticos e, portanto, de boa raça, ou seja, capazes de marcar a sua descendência. Felizmente, como a maioria das qualidades são dominantes e as taras maioritariamente recessivas, o aparecimento de defeitos está limitado ao acasalamento entre heterozigóticos (os homozigóticos com taras são geralmente afastados da reprodução). O ideal seria sem dúvida poder utilizar os reprodutores possuidores de todas as qualidades pretendidas no estado homozigótico!Para este fim, o meio mais seguro e o mais rápido é o da consanguinidade.

##Genética e características morfológicas ##

Genética e características morfológicas
A morfologia refere-se ao visível e inclui dados referentes, no que respeita ao cão, à fisionomia geral, ao formato do animal na idade adulta, à sua cabeça, membros, estrutura, pelagem, e mesmo à cor dos olhos. A presente obra não pretende ser um tratado exaustivo sobre genética aplicada à reprodução canina. Na verdade, existem estudos muito bem documentados sobre esta temática, os quais aconselhamos a leitura. Por sua vez, tentámos agrupar os elementos mais conhecidos que conduzem, no cão, ao aparecimento de determinada característica morfométrica.
Perfil morfológico geral do cão
O perfil de um cão (rectilíneo, convexilíneo, concavilíneo) e as suas proporções (mediolíneo, longilíneo, brevilíneo) permitem avaliar o tipo morfológico geral do animal, o qual varia consideravelmente na espécie canina.
Como afirma Bernard DENIS, grande especialista em genética canina, "a intervenção de factores genéticos necessita, na espécie canina, de diferenciar a perspectiva entre os tipos harmoniosos e desarmomiosos:
- a harmonia pressupõe que, partindo de um tipo médio – representado, por exemplo, por um perdigueiro (eumétrico, rectilíneo, mediolíneo) -, se possa evoluir progressivamente e da mesma forma, por um lado, em direcção a um hipermétrico em tamanho, ultra-longilíneo, ultra-convexilíneo tipo galgo (o animal aumenta, alonga-se e aplana-se lateralmente) e, por outro, em direcção a um hipométrico em tamanho, ultra-brevilíneo, ultra-concavilíneo, tipo bulldog inglês (o animal diminui em tamanho e comprimento e alarga-se lateralmente); - há desarmonia quando as variações não ocorrem nas direccões mencionadas: por exemplo, um perfil ultra-convexilíneo com um tronco ultra-brevilíneo (tipo Bull Terrier), um perfil ultra-concavilíneo com um tronco mediolíneo (Cavalier King Charles), membros curtos com um tronco sub-longilíneo (Basset Artésien-Normand), etc."
Neste contexto, a hereditabilidade do tipo morfológico afigura-se elevada, em que este caracter melhora bastante pela selecção e não é enfraquecido pela consanguinidade; nesta transmissão intervêm efeitos multi-génicos de acção específica, mas também a acção directa de genes principais.
O formato, que engloba tanto o tamanho como o peso, possui também uma hereditabilidade aparentemente bastante elevada. Este caracter fixa-se geneticamente e a alimentação (mais globalmente, as condições do canil) apenas permite a sua expressão mais ou menos precoce. O aumento do formato de determinadas raças é puramente genético, e nunca será possível, através da alimentação, aumentar os cães para além do seu potencial genético! Elementos morfológicos específicos
Elemento fundamental da "beleza" canina, a cabeça é determinada pela genética quantitativa. Assim, o criador deverá estar atento para alguns excessos: a tentativa de obtenção de focinhos demasiado longos ou finos, por exemplo, conduzirá, na maioria dos casos, a uma selecção genética involuntária de animais com prognatismo superior. O prognatismo inferior (queixo saliente) ou o prognatismo superior (mandíbula superior saliente) parece possuir um determinismo autossómico recessivo. As anomalias dentárias são diversas e constituem, dependendo do país, "defeitos" mais ou menos graves; a única constatação possível é que uma dentição defeituosa tem mais hipóteses de se manifestar em descendentes de dois progenitores com falta de dentes do que noutros cujos progenitores possuam uma dentição normal.
Os conhecimentos actuais sobre a genética do posicionamento das orelhas também são escassos; a forma, a implantação e o porte deverão ser estudados como caracteres quantitativos, submetidos a efeitos poligénicos. O comprimento dos membros fornece também um exemplo de situação genética complexa, na qual intervêm vários mecanismos genéticos:
- efeitos poligénicos para o caso geral, - um gene dominante com domínio incompleto no caso de alguns Bassets, - um gene recessivo em determinados casos particulares (Cocker, Malamute do Alaska).
Por fim, a forma e o porte da cauda são igualmente hereditários e constituem caracteres étnicos cujo determinismo é poligénico.Genética e faneras
Os elementos visíveis de um cão comportam, obviamente, a pelagem, tanto ao nível da cor como da textura. Neste contexto, utiliza-se uma nova nomenclatura de pelagens de cães desde 1991, iniciativa de Costiou e Denis (ver quadro em anexo). Os elementos aqui referidos serão os utilizados por este último autor.
No cão, a cor do pêlo, da pele e da íris resulta de pigmentos denominados melanina (pigmento claro variando do amarelo ao vermelho), responsável pela síndrome do pêlo vermelho em caso de carência nutricional em tirosina.
O branco não existe enquanto cor; a ausência de pigmento resulta na presença de ar contido numa substância sólida translúcida, que é o córtex do pêlo (observa-se a mesma situação para a "cor" branca da neve, por exemplo).
Assim, um certo número de alelos em diferentes lócus poderá intervir: - na síntese de eumelanina sobre todo ou parte do corpo ou dos pêlos; - na alteração desta síntese para a da feomelanina (com uma possível interferência nutricional em caso de carência relativa em tirosina); - na inibição da formação de pigmentos sobre todo ou parte do corpo.
Os lócus em causa podem-se reagrupar em três categorias: - os que determinam a cor base da pelagem; - os que afectam a intensidade da pigmentação; - os que suprimem a pigmentação.
Os dados que se seguem, modificados segundo Denis, recapitulam o conjunto dos elementos conhecidos relativamente à genética da pelagem, do olho, da trufa e das unhas do cão.

##O porquê da selecção genética ##

O porquê da selecção genética
Se para um criador de "animais de produção" é simples seleccionar os progenitores pelas suas características de carne e leiteiras, para um criador de cães é muito mais complexo estabelecer uma selecção, na medida em que as qualidades desejadas relacionam-se sobretudo com a morfologia e o temperamento dos animais.
Assim, um criador de cães pode deixar esta tarefa ao critério da natureza, permitindo que as suas cadelas se reproduzam ao acaso nos encontros. Mesmo se, através deste meio, conseguir obter um cão excepcional, o criador aperceber-se-á rapidamente que as suas qualidades influenciam em pouco a descendência e veremos o motivo pelo qual estas características causadas por acasalamentos aleatórios se revelam pouco transmissíveis.
Contudo, numerosos criadores encontram fundamentos para a sua paixão no aperfeiçoamento permanente das qualidades dos seus cães, melhorando a reputação do seu canil. Tendo em vista esta finalidade, devem conduzir uma verdadeira política de selecção, auto-questionando-se da seguinte forma:
- "Como é que tudo funciona? Dito de outra forma, como é que se transmitem os caracteres responsáveis pelas qualidades e defeitos de cada animal?" - "O programa genético reflecte-se na aparência? O fenótipo (o que podemos ver ou avaliar exteriormente como a pelagem, por exemplo) traduz fielmente o genótipo (o código genético)?" - "Quais são as vantagens e desvantagens da consanguinidade que tem uma tão má reputação aos olhos do público?" - "Finalmente, como prevenir o aparecimento de uma doença genética ou, se já estiver presente, como eliminá-la?"




##A genética e a relação com as qualidades de trabalho ##

A genética e a relação com as qualidades de trabalho
Contrariamente às outras grandes espécies de animais domésticos, o cão ainda não foi afectado pela revolução dos métodos e técnicas de melhoramento genético. Deve-se, essencialmente, ao facto da posição socio-económica do cão ser, fundamentalmente, oposta à dos animais denominados de "produção" nas sociedades desenvolvidas; essa constatação é que tem determinado a principal orientação genética da espécie canina, que se caracteriza por uma diversidade morfológica desejada e orientada, em primeiro lugar, por critérios estéticos. Não obstante, e paralelamente, a selecção tem envolvido também determinadas aptidões físicas ou comportamentais, provocando a conhecida divergência genética "beleza/trabalho", que conduziu aos diversos cães de trabalho a partir dos quais surgiram os cães de desporto.
Actualmente, como desde sempre, os critérios primários de escolha dos reprodutores caninos com vocação desportiva são os seus resultados no trabalho. Para o geneticista, o objectivo é realizar a melhor comparação possível entre os candidatos com potenciais genéticos transmissíveis (valoresgenéticos aditivos) sob o ponto de vista dos seus desempenhos (fenótipo): tal abordagem só pode ser concebida no contexto de provas desportivas sujeitas a um regulamento preciso. Assim sendo, no estado actual da situação, sem querermos subestimar o valor e a experiência de alguns criadores, ainda não é possível efectuar uma classificação dos cães de uma raça com base no seu valor genético; consequentemente, a escolha dos melhores reprodutores de desporto canino continua a ser aproximativa e, quase sempre, muito empírica.Cão de caça







Assim, há ainda um longo caminho a percorrer para implementar boas ferramentas de selecção genética no caso do cão de desporto, de trabalho e de utilidade. Num esquema de selecção directa (tentativa de aperfeiçoamento de um objectivo de trabalho), o primeiro problema que se apresenta para o desempenho desportivo reside na frequente dificuldade em o quantificar com a precisão (ou objectividade), exactidão e fidelidade (garantia de repetição) exigidas.
A corrida cronometrada do galgo de corrida representa a situação ideal mais favorável, embora durante a corrida possam ser considerados vários parâmetros de selecção:
- o melhor tempo realizado nas diferentes corridas de uma competição; - o tempo médio calculado nessas corridas;
Galgo de corrida
No caso do concurso em ringue, a escolha do parâmetro torna-se mais ampla:
- classificação, conforme a escala dos juízes ou outra; - classe; - ganhos que reflectem o nível da competição e do desempenho (sistema utilizado para o cavalo de desporto).
Podem ser aplicados critérios de selecção indirecta (que influenciam o desempenho), como, por exemplo, testes de desempenho realizados em condições standardizadas, o comprimento de perna do galgo de corrida, desde que positivamente correlacionado com a sua velocidade, ou, até mesmo, o ângulo dos segmentos ósseos durante a prova desportiva.
De facto, tal como estudada por Jean-François Courreau, especialista em genética do cão de desporto na ENVA, a orientação actual dirige-se para um sistema de índice de selecção genética obtido a partir de vários desempenhos próprios do cão, submetidos a um sofisticado tratamento matemático.
Atrelagem de cães de trenó
Assim, há que reconhecer que o cão de desporto ou de trabalho, ao contrário das outras grandes espécies animais domésticas, ainda não conheceu uma grande evolução dos métodos e técnicas empíricas de melhoramento genético. De uma forma racional, a selecção do animal de desporto deve ter como objectivo o melhoramento do nível de desempenho de uma população, ou seja, o valor fenotípico médio, por via do aperfeiçoamento genotípico e, mais precisamente, do valor genético aditivo médio. Não é nossa intenção entrar em detalhes ao nível de estudos já realizados nesta área, estudos estes que demonstram a fraca hereditabilidade de determinadas características de trabalho (excepto a característica "ataque/mordedura" no caso do Pastor Belga Malinois). A estratégia clássica de selecção racional (selecção baseada na ascendência, em massa e depois na descendência), bastante utilizada pelos criadores (mas sem ser utilizada sistematicamente e nem sempre rigorosamente), deve ser substituída por uma verdadeira avaliação genética do desempenho.
Desta forma, a modelização dos desempenhos representa a etapa preliminar indispensável na avaliação; deve ser feita através de uma representação matemática dos efeitos genéticos e não genéticos que influenciem o carácter estudado, e atingir um índex de desempenho. Neste sentido, foi realizado um primeiro trabalho em França (Escola Nacional Veterinária de Alfort) propondo uma avaliação genética dos Whippets de corrida: foram introduzidos vários factores do meio numa modelização do desempenho (cinódromo, solo, distância percorrida, engodo, ano, sexo, idade, formato do cão e categoria de rapidez), sendo que alguns revelaram um efeito significativo no desempenho. Assim, por exemplo, o efeito "distância" traduz-se por uma superioridade específica das velocidades obtidas nos 225 m que é de 0,4 m/s.
No futuro haverá a possibilidade de disponibilizar aos utilizadores, através dos Médicos Veterinários, modelos fiáveis de avaliação do valor genético desportivo ou de trabalho dos progenitores. A distribuição tipológica das fibras musculares (de contracção lenta ou rápida) encontra-se bastante marcada à nascença e perfeitamente correlacionada com o tipo de exercício em causa. O mesmo acontece com um parâmetro biológico como o hematócrito, cujo valor está próximo de 60 no Greyhound de uma linhagem de corrida mesmo sem ter sido treinado.

Princípios de seleção genética em reprodução canina

Princípios de selecção genética em reprodução canina
Muitos criadores mantêm os cachorros mais promissores para melhorar qualitativamente a sua criação, recorrendo a machos exteriores para renovar o sangue das suas linhagens. O presente capítulo resume os elementos que nos afiguram essenciais à gestão e aperfeiçoamento do património genético da reprodução.




##Conhecer o cão#

Conhecer o cão
A abordagem do conjunto de elementos técnicos que presidem à gestão global da criação canina de qualidade obriga no mínimo, a que se fale a mesma linguagem e se compreenda, em linhas gerais, o que é o organismo de um cão e o seu respectivo funcionamento.






##Elementos da anatomia canina##

O cão é um animal quadrúpede (o corpo é sustentado pelos quatro membros), digitígrado (caminha apoiando os dedos no solo). A anatomia de um animal divide-se em diferentes áreas: a anatomia externa, a osteologia (estudo do esqueleto), a artrologia (estudo das articulações), a miologia (estudo dos músculos) e o estudo dos órgãos internos (torácicos e abdominais).


As regiões do corpo do cãoCabeça1. r. frontal 2. r. parietal 3. r. temporal 4. r. auricular 5. r. zigomática 6. r. orbital 7. r. intraorbital 8. r. nasal 9. r. bucal 10. r. massetérica
Pescoço 11. r. da laringe 12. r. da parótida 13. r. dorsal do pescoço 14. r. lateral do pescoço 15. r. ventral do pescoço (r. traqueal) 16. r. pré-escapular
Tórax 17. r. interescapular 18. r. dorsal 19. r. Lombar 20. r. da espádua 21. r. do pré-esterno 22. r. do esterno 23. r. das costelas 24. r. do hipocôndrio
Abdómen 25. r. xifoidiana 26. r. do flanco 27. r. umbilical 28. r. hipogástrica 29. r. inguinal 30. r. do prepúcio
Bacia 31. r. Do sacro 32. r. coccígea ou r. caudal 33. r. dos glúteos 34. r. da tuberosidade coxal 35. r. da tuberosidade isquiática
Membro torácico 36. r. da articulação escapulo-humeral 37. r. do braço 38. r. bicipital 39. r. do codilho 40. r. do ante-braço 41. r. do carpo 42. r. do metacarpo 43. r. metacarpo-falangiana 44. r. ungiculada
Membro pélvico 45. r. da articulação da anca 46. r. da coxa 47. r. do joelho 48. r. póplitea 49. r. da perna 50. r. do tarso 51. r. do metatarso 52. r. metatarso-falangiana.Classificação
Tendo em conta a grande diversidade da espécie canina, podemos classificar as raças de cães em função do seu formato ou da sua morfologia.
• Com base no peso
Raça pequena: <> 45 kg
• Com base na morfologia
As diferentes conformações observadas permitem classificar os cães em três categorias. Os cães longilíneos, cujos elementos de comprimento ultrapassam os da largura e espessura, com formas alongadas e esbeltas. Nos cães brevilíneos, contrariamente ao caso anterior, os elementos de largura e espessura são preponderantes sobre o comprimento, apresentando proporções robustas e formas arredondas. Finalmente, os cães mediolíneos caracterizam-se por proporções médias.












##ORIENTAÇÃO GERAL PARA CÃES##

ORIENTAÇÃO GERAL PARA CÃES
1. ALIMENTAÇÃO

Até o desmame a alimentação deve se basear principalmente no leite materno. A época de desmame ideal é por volta da sexta semana de vida. A partir do desmame deve ser oferecido alimento sólido, na forma de comida caseira ou ração, e na seguinte freqüência:- a partir dos 35 dias deve - se dar comida pela manhã, na hora do almoço, no meio da tarde, no jantar e antes dos donos irem dormir. Pode ser dado leite ou mingau nos intervalos das refeições, e no almoço e no jantar dar comida caseira ou ração. São no mínimo 5 refeições diárias. - a partir dos 90 dias, dar 4 refeições diárias,- dos 6 meses a 1 ano, 3 refeições diárias, - após 1 ano, no mínimo 2 refeições diáriasO animal deve ter horários fixos de alimentação.Os recipientes onde são dadas as refeições devem ser retirados e limpos nos períodos entre as refeições.Pode-se oferecer comida caseira ou rações comerciais aos animais. As rações devem ser escolhidas de acordo com a idade do animal e sua atividade física, e ser de marcas conhecidas e de confiança. Deve-se obedecer as recomendações do fabricante quanto as quantidades a oferecer e o modo de prepará-la.A dieta caseira ideal é a seguinte : carne ( de vaca, de frango - sem osso ou de pescoço, bem cozido ), arroz (preparado com óleo e com ou sem tempero, mas não com pimenta), legumes (cenoura e outros).Não se deve dar ração de gatos à cães e vice e versa, elas são bem diferentes na quantidade de nutrientes que contêm. observações:
cães alimentados com dieta caseira podem e devem ter a comida preparada com óleo vegetal (mas não frituras).
deve-se evitar misturar ração comercial com comida caseira para não alterar o equilíbrio nutricional das rações.
deve-se evitar o emprego de rações comerciais destinadas a outros animais (porcos, aves, etc.), já que estas tem constituintes que fazem mal à carnívoros (cães e gatos são carnívoros).
tomar cuidado com o estado de carnes compradas para cães, eles também se intoxicam com carnes e outras comidas estragadas e/ou de má qualidade.
todos animais devem ter acesso constante a água limpa, e de preferência fresca, o tempo todo . Mais atenção ainda deve ser dada àqueles cães que comem ração, eles tem mais sede.
cães da raça dálmata , por problemas da raça, não devem ser alimentados com grãos (feijão, ervilhas, etc. ), frutos, vísceras de animais (fígado, "buxo", rins, etc.), e vagens. Para cães dessa raça, a visita anual ao veterinário é muito importante até os 4 ou 5 anos e depois disso, consultas semestrais.
deve-se evitar a estocagem de comida caseira por muito tempo, para não permitir que azede e fique rançosa. Rações comerciais vindas de sacos úmidos e engordurados ou com prazo de validade vencidos não devem ser usados.
não oferecer aos animais doces, farináceos(macarrão, bolacha, pão, etc.), polenta, embutidos (salsicha, presunto, salame, etc.), patês, comidas gordurosas ou muito temperadas, feijão. São comidas que podem fazer mal tanto a digestão do animal quanto a sua pelagem, e a seus dentes, causando tártaro, que é aquela camada amarelada que vai se formando nos dentes do animal e causa queda dos dentes e mau cheiro na boca.
deve-se seguir a orientação do veterinário quanto a necessidade e a quantidade de cálcio, sais minerais e vitaminas a serem dadas a seu animal.
alguns proprietários, acreditando que estão fazendo um bem, misturam à alimentação do animal todo tipo de suplementos, como farináceos infantis (farinha láctea, etc.), achocolatados (Nescau, etc.), leite em pó, vitaminas e até medicamentos (sem recomendação do veterinário). O resultado mais comum é um desenvolvimento `muito rápido do cão, sem que sua estrutura óssea possa acompanhar ( os músculos se desenvolvem mais rápido que os ossos).
quanto melhor for a ração, melhor ela é absorvida pelo corpo do animal. Isto significa que o animal come menos uma boa ração, do que uma ração ruim, porque ele fica melhor alimentado, com uma quantidade de comida menor. Isto também significa que rações muito baratas, além de não alimentarem adequadamente seu animal, por não serem bem absorvidas pelo intestino (os componentes da ração são de qualidade inferior), , vão dar a ilusão de que seu animal está bem alimentado e você não vai entender porque a pelagem dele começa a cair muito e a ficar feia, e o animal começa a adoecer mais vezes.
já cálcio demais pode levar a problemas ósseos, perda de apetite, descamação da pele, e deixar a pelagem sem brilho.
algumas raças, como o Beagle, o Labrador, os Bassethound e Dachshund ( o "lingüiça") tem tendência a comer demais e a engordar. Já o Huscky Siberiano e o Setter Irlandês comem pouco.

2.BANHOS E CIA.

Cães podem ser banhados a cada 15 dias (no máximo uma vez por semana), a partir da quinta semana de vida, com água morna, nos horários mais quentes do dia, devendo ser bem enxuto. É recomendada a proteção dos ouvidos com chumaço de algodão para evitar a entrada de água .
Deve-se evitar o uso de talco anti pulgas antes ou depois do banho (podem intoxicar o animal), sabões, shampoo ou qualquer preparado anti pulgas sem ser indicado pelo veterinário. Usar sabonetes neutros de boa qualidade (de glicerina ou de uso infantil).
As orelhas devem ser limpas com algodão seco ou embebido em óleo mineral (de uso infantil). Para limpezas mais profundas , trazer o animal ao veterinário.
Não se deve usar desinfetantes e alvejantes na água de banho ou no enxágüe do animal . Também deve se ter cuidado com o desinfetante e o sabão usados para limpar locais onde o animal tem acesso, e sempre enxaguar bem para evitar que o animal lamba ou se deite em cima dele. Usar preferencialmente água sanitária ("cândida") para limpeza do ambiente.Evite dar banho nos 15 dias que se seguem a vacinação.

3.CUIDADOS DE ORDEM GERAL E VERMIFUGAÇÃO
Antes da cobertura de cadelas recomenda-se a realização de exames de fezes e vermifugação sob a orientação de um veterinário.Alguns parasitas (tênia Dipillidium caninum ) não são facilmente detectados no exame de fezes, sendo mais provável que o dono o observe nas fezes como semelhantes a grãos de arroz que se mexem.Os exames de fezes são recomendados a cada 6 meses mais ou menos, no primeiro ano de vida do animal. Pode ser necessário que neste período seu cão precise ser vermifugado todo mês. O ideal é que o animal seja vermifugado entre a quarta e sexta semana de vida.As fezes devem ser recolhidas e jogadas fora o mais rápido possível.

4.VACINAÇÃO
As vacinas básicas são contra cinomose, hepatite infecciosa canina, leptospirose, parainfluenza canina, coronavirose e parvovirose. Elas podem ser dadas em diversas apresentações. Também sempre existem lançamentos que podem ou não serem úteis à seu animal. Consulte seu veterinário a respeito. Pode ser feito o seguinte esquema de vacinação, :- primeira dose aos dois meses; - segunda dose aos três meses;- terceira dose aos quatro meses.Uma quarta dose ou mais podem serem dadas a critério do veterinário. Depois dessas doses, as vacinas são repetidas anualmente. A vacina anti rábica (contra raiva) é dada a partir dos quatro meses, e repetida anualmente. É necessário evitar que o animal saia de casa ou tenha contato com animais estranhos antes de ter completado todo o esquema de vacinação. Ele só é considerado sob proteção completa das vacinas após 15 dias da última dose.
5.GERAIS:
Não deixe o animal ter acesso a substâncias químicas como inseticidas, creolina, produtos de limpeza, etc. Também é necessário, principalmente em filhotes, ter cuidado com o acesso deles a coisas pequenas que possam ser engolidas ou cortantes.
Seu animal também sente frio, fome, desconforto, abandono, solidão, etc. Não é nossa filosofia o fazer crer que o animal deva ser tratado como uma criança, mesmo porque ele não é, mas um cão tem necessidades básicas que tem que ser supridas: um lugar para dormir, em que esteja protegido de vento, sol, frio e chuva;água fresca o dia inteiro e comida suficiente;companhia o dia inteiro, se for característica da raça, ou um agrado do(s) dono(s) pelo menos uma vez ao dia;banho de sol por pelo menos 20 minutos ao dia;que a proporção entre seu tamanho e o local onde ele fica e se exercita seja adequada;Se não lhe agrada ou não é possível fazer as coisas descritas acima, repense sobre sua vontade de ter um animal, pois se ele estiver sempre doente ou agressivo por más condições de vida não vai ser um bom animal. Por outro lado, o amor de um animal supera pequenas coisas que não podemos lhe dar.Também:
não exija o impossível do animal, dentro de suas limitações ele sempre quer agradar o dono,
não o puna sem razão e sempre, e o premie quando acertar,
valorize a amizade sincera que o animal lhe dá,
não deixe seu cão preso o dia inteiro a corrente, os animais sentem esta situação de prisão mais que os seres humanos, pois eles sentem falta de liberdade e não sabem porque estão presos,
não deixe seu cão solto na rua, onde inúmeros perigos o ameaçam, dentre os quais o trânsito de carros e doenças,
lembre-se: o portão aberto é um dos maiores inimigos de seu cão.
DICAS PARA TREINAMENTO:
Aconteça o que acontecer, tenha paciência e não grite. Irritação e gritos criam medo e dificultam o aprendizado. Além disso , o ouvido do cão é muito sensível. Ao censurá-lo, basta mudar de expressão e o tom de voz. Deixe claro que o líder é você (quanto mais agressivo e dominante o animal, tenha mais cuidado com este aspecto, senão ele o dominará). Evite dar abraços e beijos, pode ser interpretado como sinais de submissão do dono ( sempre tem alguém da casa que o animal obedece mais : ele considera essa pessoa seu superior , digamos assim, o chefe da matilha).Se ele se mostrar muito excitado, relaxe-o alisando a pelagem no sentido contrário ao nascimento dos pelos. Isso alterará o comportamento do cão e fará com que ele preste atenção em você.Uniformize os tons de voz que as pessoas da casa usam para os comandos. A repreensão deve ser sempre o mesmo tom enérgico, enquanto o elogio precisa revelar carinho e estímulo ( não adianta repreende - lo falando em tom de voz que se usa com uma criança: o animal percebe o tom da voz, mas não o que as suas palavras querem dizer).Defina bem as proibições. Combine com seus familiares o que o animal pode e o que não pode fazer. Todos da casa devem seguir isso ( o animal fica confuso com ordens conflitantes - uma pessoa da casa, por exemplo, deixa ele subir no sofá, outra não. Ele não saberá a quem obedecer e o que pode ou não fazer).

6.INFORMAÇÕES GERAIS:
Gestação de cadelas dura de 58 a 62 dias.
O cio da cadela ocorre em média de 6 em 6 meses. O primeiro cio geralmente ocorre entre a idade de seis meses a um ano de vida.
O desmame das ninhadas pode ser feito com os animais entre 30 a 40 dias de idade.
Não deixe cruzar animais que ainda não tenham 1 ano e meio de idade e não deixe cruzar fêmeas no primeiro cio. A cadela ainda está em crescimento nesta fase e não são boas mães pela pouca idade e maturidade.
não cruzar pela primeira vez animais com mais de 4 anos, e não cruzar mais animais com mais de 5 anos. Em casos de dúvida, consulte seu veterinário.
escreva e guarde sempre o que acontece com seu animal ao longo da vida (cio, espaço entre cios, prenhez, parição, operações, acidentes, vacinações, etc.), isto é sempre útil ao veterinário em caso de doença


SEMPRE QUE NOTAR ALGUMA ALTERAÇÃO NO COMPORTAMENTO OU NA SAÚDE DE SEU ANIMAL, PROCURE OU TELEFONE PARA SEU VETERINÁRIO DE CONFIANÇA: QUANTO MAIS CEDO SE COMEÇA A TRATAR UMA DOENÇA, MAIS CHANCES DE CURA SE TEM.