domingo, 30 de outubro de 2011

Programa Este bicho é o bicho - Cane Corso


Este bicho é o bicho - Fila Brasileiro


Programa Este bicho é o bicho - teckel


Programa Este bicho é o bicho - bull terrier


Programa Este bicho é o bicho - labrador


Programa Este bicho é o bicho - rotwailler


Programa Este bicho é o bicho - Doberman


rotwailler animal planet


terça-feira, 11 de outubro de 2011

cão de trabalho X marketeiros


É fundamental entender que não existe uma verdade absoluta e que cada cão é um
individuo único, mas é essencial que a pessoa esteja treinando para poder ter
uma vivência pratica, para poder laboratoriar. Algo que é realmente complicado é
passar informação teórica para quem não tem a pratica e nem pretende ter
experiência pratica.
O maior problema que vejo durante os debates com criadores que não gostam de
trabalho, é justamente isso, que as discussões ficam muito vagas, pois existe um
enorme abismo entre o que cada um está falando. Por outro lado, é muito mais
fácil um criador que não gosta de trabalho e que não pretende experimentá-lo, ir
se "especializando e aprimorando" a sua lábia, tornar-se um mestre do marketing
e vender o que não existe, pois as maiores partes das pessoas estão atrás de sonhos,
e quando caem nas mãos de um bom vendedor, pagam um preço muito caro (nos dois
sentidos).
A verdade é que dá um enorme trabalho treinar o cão, e ao mesmo tempo, vão
aparecer todas as "falhas" dele.
Sobre utilidade, esse texto é muito bom.

Texto : Rogerio Sandoval um dos melhores adestradores do Brasil!

Entrevista extraída da revista Rottweiler Brasil
n.º 5 - ano 2 - Colina Livraria Editora Ltda.



Matcho von Burgthann - Um dos maiores reprodutores alemães da atualidade
Irmgard Link mora no pequeno povoado de Scheinfeld, ao sul da Alemanha e realiza um trabalho maravilhoso, juntamente com seus Rottweilers, à comunidade alemã, através da Cruz Vermelha. Ela é proprietária de Rottweilers desde 1980 e começou treinado-os para as exigentes provas de SchutzHund, chegando até o nível III (máximo), onde apenas 40 cães em toda a Alemanha participavam. Veja como tudo começou...
N.E. SchutzHund: É a prova de adestramento que compreende exercícios de obediência (ficar, sentar, deitar, buscar objetos) com e sem a guia, prova de faro e prova de temperamento (revistar o campo, localizar o cobaia, fuga e prisão do cobaia, simulação de assalto), que devem ser executadas com determinação e perfeição.
KÖRUNG: Reúne, além da prova de adestramento (mais rigoroso), prova de estrutura e prova de tipicidade. Um Rottweiler com título de KÖRUNG (Gekort Biz Eza) é aprovado para reprodução por toda a vida na Alemanha.
BH: Cão habilitado a se movimentar no trânsito (guia de cegos).
Rottweiler Brasil - Essas competições que você participava era a "Deutschmeisterchaft"?
Irmgard Link - Exatamente. Eu participava com meu cão e fui também à Áustria para uma competição na neve.
Rottweiler Brasil - Que tipo de competição na neve?
Irmgard Link - Busca e salvamento, realizada pelo exército austríaco. Fui a outras competições na Espanha e em outros países, incluindo uma muito curiosa na Alemanha, realizada por um grupo da Cruz Vermelha. Nesse evento havia um grupo que treinava cães para catástrofes.
Rottweiler Brasil - Você se lembra qual foi o ano que conheceu esse grupo da Cruz Vermelha?
Irmgard Link - Foi quando eu me mudei para cá, em 1984. Na época eu já tinha um segundo cão, do Canil Schwaiger Wappen, pois tínhamos mais espaço nessa nova casa. E então tivemos nossa primeira tentativa de criar a raça.
Rottweiler Brasil - Na Alemanha, o SchutzHund e o KÖRUNG são a elite do Rottweiler e você decide treinar e criar para a Cruz Vermelha, assim, de maneira alguma os cães podem ser agressivos com pessoas ou outros cães. Como foi isso?
Irmgard Link - Não, nós não estávamos criando para a Cruz Vermelha. Nossos filhotes destinavam-se à pessoas que queriam cães para competir, para guarda ou companhia apenas. A raça não pode ser dita que é destinada à Cruz Vermelha e não é muito comum vermos Rottweilers nessa entidade, mas eu acredito que, se a vida do filhote é normal, você pode trabalhar com ele na Cruz Vermelha. O Rottweiler não é perigoso se você não o fizer assim. Certo? Eu trabalhei com meu primeiro Rottweiler para a Cruz Vermelha durante cinco anos e depois, dois anos com a Eza e cinco com a Emily.
Rottweiler Brasil - Você costumava trabalhar com os cães, ao mesmo tempo, títulos de SchutzHund, BH e treinamento na Cruz Vermelha?
Irmgard Link - Sim, com o mesmo cão e ao mesmo tempo, porque meus cães aprendem que o SchH é o "lugar dos brinquedos" deles e morder é apenas um jogo. Na Cruz Vermelha eles aprendem que buscar e procurar pessoas é gratificante, que cães e pessoas são amáveis e gentis. É possível fazer ambos os treinamentos ao mesmo tempo.
Rottweiler Brasil - Muitos dizem que o treinamento de SchH é muito duro e torna muito difícil a socialização após o seu término, mas você tem uma mentalidade diferente a respeito.
Irmgard Link - Na minha opinião o cobaia, após o treinamento de defesa, deve ter condições de brincar, tocar e afagar o cão. Todos os meus cães fazem isso, eles lutam pela manga e não pela pessoa. Para a Cruz Vermelha não é problema, porque ninguém usa as mangas ou roupas de treinamento de defesa.
Rottweiler Brasil - Você disse que o Rottweiler não é muito usado na Cruz Vermelha. Como foi essa experiência para o restante do seu grupo?
Irmgard Link - No início havia um homem do grupo que estava temeroso com relação à raça, mas no decorrer de um mês, perdeu totalmente o medo. Você tem que trabalhar com o cão entre as pessoas e elas vão acreditar na raça.
Rottweiler Brasil - Como é o treinamento na Cruz Vermelha?
Irmgard Link - O trabalho com cães na Cruz Vermelha é muito duro, nós vamos a um lugar, tipo uma floresta, mas dificilmente repetimos a região. Abrimos o carro e largamos os cães para brincar. Após dez minutos, colocamos as guias e iniciamos o trabalho.
Rottweiler Brasil - Você disse que os cães são treinados, sempre em lugares diferentes. Como é esse treinamento?
Irmgard Link - Um dia na floresta, outro em uma casa, outro em escombros, outro no campo, enfim, todos os lugares possíveis. Nós os treinamos para procurar pessoas. Vamos ao local, um de nós sai para se esconder e após dez minutos mandamos meu cão procurar. Ao encontrar a pessoa, o cão começa a latir. Até eu chegar lá, o cão não para.
Rottweiler Brasil - Os cães são treinados para busca na água?
Irmgard Link - Não, somente na costa da Europa e região de rios, aqui não.
Rottweiler Brasil - Qual a idade necessária para terminar o treinamento?
Irmgard Link - São necessários dois anos de treinamento para busca e salvamento.
Rottweiler Brasil - Dois anos? Um título de SchH III pode ser feito em sete meses...
Irmgard Link - Um cão que falhe no SchH é aceitável, mas não um que falhe quando a vida de alguém está em jogo. Se a polícia me chama e pede para verificar a existência ou não de uma pessoa numa ruína ou nos restos de um incêndio e eu (e o cão) digo que não há, as máquinas irão destruir o que restou como se realmente não houvesse ninguém lá. A todo momento estamos decidindo a vida de alguém. Esta é a razão para dois anos de treinamento.
Rottweiler Brasil - E após o treinamento?
Irmgard Link - É feita uma prova de avaliação do cão pela Cruz Vermelha e depois uma nova prova a cada ano, para verificar o grau de excelência do cão.
Rottweiler Brasil - E como é essa prova?
Irmgard Link - Sempre numa região diferente a cada edição. Uma área de um quilômetro de comprimento por duzentos metros de largura, onde está escondida uma pessoa. O cão tem que encontrá-la em, no máximo, vinte minutos. Eu acompanho o cão caminhando no centro da área, não posso sair da linha central.
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Rottweiler Brasil - Agora, como vocês fazem o treinamento dos cães? Quando vocês iniciam? Com que idade o cão poderá começar?
Irmgard Link - Iniciamos com os cães com dois meses de idade. É muito simples, eu vou com meu cão para nosso treinamento, um amigo segura o Rottweiler pela guia e eu me distancio apenas três metros e me escondo atrás de uma árvore. Eu o chamo e, quando ele chega até mim dou-lhe alguma coisa para comer ou algo que lhe agrade. Este treinamento continua aumentando as distâncias. Após um mês eu passo a usar outra pessoa comigo. Ela e eu vamos nos esconder e quando o cão nos encontra, esta segunda pessoa estará na minha frente e ela vai agradar o cão e não mais eu. Após algum tempo, não estarei mais lá. Desta forma, passo a passo, o cão aprende. Ele deve buscar uma pessoa sem farejar, sem qualquer rastro ou trilha. Ele também deve aprender a latir somente quando a pessoa está sentada ou deitada, não quando está de pé ou caminhando. O cão não pode ter medo de qualquer som, não pode distrair-se com animais ou outros cães e não pode temer locais difíceis. Não pode temer também o fogo. Uma parte do treinamento ensina o cão a procurar através da fumaça e do fogo.
Rottweiler Brasil - Nem todos os cães podem trabalhar na Cruz Vermelha? Como vocês os selecionam?
Irmgard Link - Nós temos um teste. Para um filhote não há problemas, porque ele cresce no grupo. Quando é um cão mais velho, não deve ter mais de cinco anos* e após trabalhar dois meses conosco, nós fazemos o teste.
* Levando-se, em conta que um Rottweiler fica velho depois dos 8 ou 9 anos, se o cão tem 5 anos, gastaria mais dois com treinamento, ficando, portanto, apto a trabalhar já com 7 anos... uma idade considerável.
Rottweiler Brasil - Como é esse teste?
Irmgard Link - É um teste de caráter e barulho e ele tem que ter um título de obediência (quando adulto), deve aceitar normalmente os outros cães, não pode temer situações novas, tem de ser autoconfiante, não temer fumaça e fogo. É tanto trabalho a ser feito que não é possível iniciar sem a certeza de que o cão pode fazê-lo.
Rottweiler Brasil - Vocês não tem uma linha de sangue que se destina melhor a esse serviço?
Irmgard Link - Não. Qualquer cão pode trabalhar para a Cruz Vermelha. Depende dele mesmo
Rottweiler Brasil - Qual é a razão mais comum para a chamada de um cão da Cruz Vermelha?
Irmgard Link - No nosso caso, é chamado por causa de crianças que não retornam para casa, pessoas de idade vivendo sozinhas que saíram para passear e não voltaram e outras situações similares.
Rottweiler Brasil - Qual foi o mais importante trabalho que você e seus Rottweilers realizaram para a Cruz Vermelha?
Irmgard Link - Há dez anos, em Nurmberg, uma casa desabou e eu fui chamada pela manhã, às quatro horas, para procurar sobreviventes nos escombros da casa, onde encontramos a esposa cerca de seis metros abaixo dos escombros, seis metros de pedra e tijolos em cima dela e a mulher foi resgatada com vida. Outro caso, tivemos que procurar uma mulher, gestante, que escreveu uma carta dizendo que ia suicidar-se e saiu de casa. Conseguimos encontrá-la a tempo e, embora tivesse tomado uma enorme quantidade de pílulas, foi salva sem perder o bebê.
Rottweiler Brasil - Você conhece muitos "rottweileristas" na Alemanha e em toda a Europa? O que eles pensam do trabalho que você vem fazendo?
Irmgard Link - Eles não levam muito a sério. Eles acreditam no trabalho SchH e dizem que este é o objetivo da raça. Dizem que a Cruz Vermelha é uma brincadeira. Não gostam sequer de escutar algo a respeito de nosso trabalho. Dizem que é um trabalho para "cães de brincadeira" e não de trabalho.
Rottweiler Brasil - E o que você diz a respeito?
Irmgard Link - Eu acredito que um cão de grande porte deve ter um trabalho, não importa se é na Cruz Vermelha ou fazendo SchH. O que importa é que ele tenha uma função. Se não trabalhar vai se tornar estúpido. Eu estou na Cruz Vermelha porque fica a 5 quilômetros daqui enquanto o clube de SchH fica a sessenta. Quando estava em Nurmberg eu fazia o SchH. Meu cão tem que fazer algo, isto é que importa.
Rottweiler Brasil - Alguma coisa a dizer para os criadores e proprietários brasileiros, não muito familiarizados com a filosofia de exigir algum tipo de trabalho do seu cão?
Irmgard Link - O importante é dar ao cão uma função, seja ela qual for. O Rottweiler é um cão de trabalho, portanto, tem de trabalhar para ser completo.

domingo, 9 de outubro de 2011



RAÇAS DE TRABALHO E UTILIDADE



O Cão de Pastor Alemão

O rei, sem dúvida, é o Pastor Alemão considerado em todo o mundo como o cão de trabalho por excelência. O seu marcado espírito gregário, instinto de guarda, capacidade de resolução, agilidade, resistência física e versatilidade converteram-no o cão de Von Stephanitz no modelo de cão de utilidade. Actualmente é seleccionado adequadamente nos Estados Unidos e em numerosas linhas de sangue europeias de trabalho. O Pastor Alemão Checo faz referência aos criados na Checoslováquia em tempos ligada politicamente à ex URSS. Ao serem seleccionados para trabalhos militares e policiais, o nível e qualidade dos ditos indivíduos, era semelhante aos criados nas melhores linhas de sangue alemãs com a vantagem de ser mais económica a sua aquisição para os restantes países europeus. Hoje em dia é normal fazer-se referência ao Pastor Alemão Checo quando se fala de Pastores Alemães de trabalho.

O Boxer

O Boxer é a segunda raça de trabalho na Alemanha e um vivo exemplo do que ocorre quando, geográfica ou culturalmente uma raça é orientada para o trabalho ou para companhia. Em Inglaterra ou nos Estados Unidos o Boxer é um cão de companhia em que só é tido em conta o seu aspecto dissuasório carecendo de capacidade de resolução e sendo relegado para uma condição meramente estética. Pelo contrário, na Europa Central e América do Sul está muito bem valorizado pela sua atitude e aptidões para o trabalho. Orientado pelo Deutscher Boxer Klub demonstra no desporto e, especialmente em tarefas de segurança civil, as suas numerosas capacidades. Especialmente indicado para conviver no seio de uma família, é um cão rápido, inflexível na defesa e protecção do grupo, com um forte instinto de presa, facilmente moldável e que necessita de escassos cuidados de manutenção.

O Cão de Pastor Belga Malinois

Uma variedade de Pastor Belga, o Malinois, representa actualmente uma sólida raça com uma excelente presente e um futuro imparável no âmbito desportivo. Na sua aparência não incide especialmente o efeito dissuasório e, portanto, o seu uso em tarefas civis se reduz todavia ao núcleo geográfico dos países francófonos onde sim é apreciado em toda a sua magnitude. Como a maioria dos pastores, é um cão territorial e gregário, com marcado instinto de caça e protecção. Geralmente são sensíveis ainda que de rápida recuperação e bastante rápidos. Estas qualidades beneficiam-no enormemente para o trabalho desportivo mas, nas tarefas civis, é limitado o seu uso aos exemplares mais corpulentos.

O Dobermann

O Dobermann, protagonista de lendas negras e objecto de numerosas incompreensões no passado, é actualmente uma raça em expansão. O facto de nas últimas duas décadas se terem feito assinaláveis progressos nas áreas do controlo do carácter e de algumas patologias que afectam a raça, principalmente a displasia coxo-femural, sempre sob vigilância apertada do clube Alemão da raça, o Dobermann Verein, proporcionou a que os princípios básicos de uma criação voltada para a funcionalidade tenham sido adquiridos pelos criadores de referência. Este trabalho já vem sendo feito há bastante mais tempo nos Estados Unidos que se empenharam verdadeiramente na selecção do carácter e é fácil encontrar linhas de sangue de trabalho bastante evoluídas e consolidadas. As suas características mais comuns são o seu enorme apego à família e especialmente ao seu dono, o seu aspecto dissuasório, rapidez, actividade interior e exterior, desconfiança para com estranhos e excelente capacidade de aprendizagem. Por tudo isso está muito bem qualificado para o desenvolvimento de múltiplas tarefas.

O Rottweiler

Não obstante o que há muito por fazer, desde o ponto de vista oficial, para o controlo do carácter, displasia e demais pontos em que se devem basear os parâmetros básicos da criação correcta e concentrada na funcionalidade da raça, ressalta nesta a capacidade de dissuasão na defesa e a força do seu instinto básico de protecção. Em desporto têm escasso êxito devido à corpulência que o criador selecciona nesta raça e a baixa capacidade de resolução derivada de uma reduzida actividade psíquica que demonstra este cão. Podem ser dominantes na hierarquia do grupo familiar e ainda com o seu dono. Esta agressividade por competência é mais relevante nos machos que ainda não tenham alcançado os quatro anos de vida já que, a partir dessa idade, o nível e testosterona começa um lento ciclo descendente tendo como consequência a diminuição do seu grau de dominância.

Ainda que outras raças como o Airedale Terrier, Schnauzer, Bouvier de Flandres, Podengos, Cães de Água, Boieiros e um comprido etc., se destaquem numa determinada área como especialmente versáteis, a cultura do cão de trabalho integral centralizou-se especialmente nas raças mencionadas nos parágrafos anteriores.

É necessário insistir na ordem crescente de importância dos factores a analisar
quando seleccionamos ou trabalhamos com cães:

1º - O indivíduo.
2º - Linha de sangue.
3º - A raça.

No próximo número iremos falar da influência da beleza nas raças de trabalho e de utilidade.
texto  de Silvio Pereira